quarta-feira, 27 de junho de 2012

Para traduzir o futuro


A omissão de um artigo no título da obra de Stefan Zweig vertida para o português pode ter contribuído para deformar nossa autoimagem nacional

Gabriel Perissé



Considerado o mais famoso de todos os textos já escritos sobre
o Brasil, Brasilien, ein Land der Zukunft, do austríaco Stefan Zweig (1881-1942), tornou-se uma espécie de eterna profecia: somos o país do futuro... desde 1941, quando a obra foi publicada.

Mas façamos uma observação importante. O livro, escrito em alemão, possuía um artigo indefinido no seu título - ein -, deixando claro que não se tratava do único país do futuro que existia. Stefan Zweig nos via como um país do futuro, entre outros. 

O problema é que, na primeira edição brasileira, o título surgiu sem o artigo: Brasil, País do Futuro. Aliás, o título em francês também omitia a pequena mas decisiva partícula: Le Brésil, Terre D'Avenir. E igualmente o primeiro título em espanhol: Brasil: País del Futuro.

Um x OÉ enorme a diferença entre um país do futuro e o país do futuro por excelência. Especialmente naquela hora, em plena Segunda Guerra Mundial, quando a sobrevivência da Europa estava ameaçada. E nós, como "país do futuro", nos enchíamos de orgulho... Perigoso orgulho, no contexto da ditadura getulista. 

Talvez esse equívoco tradutório tenha contribuído para deformar nossa autoimagem nacional, criando obstáculos culturais para um verdadeiro avanço em direção ao porvir.

A primeira tradução brasileira, já em 1941, ficou a cargo do psiquiatra Odilon Gallotti (também tradutor de Freud). A segunda tradução, de 2006, com o artigo indefinido em seu devido lugar - Brasil, Um País do Futuro -, foi assinada por Kristina Michahelles. 

Para o autor, o Brasil era país pacífico, ainda no começo de sua história civilizatória, país destinado a ser um dos mais importantes fatores do desenvolvimento futuro do mundo. Era "reserva do mundo para o futuro", pela riqueza do solo... e do seu subsolo. Havia lugar de sobra para inúmeros habitantes, para o cultivo da terra e para a extração de tesouros subterrâneos.

Futuro

Zweig argumentava que a extensão territorial brasileira é força psíquica nada desprezível. 

O espaço dilata a alma, infunde confiança, empurra um povo para o futuro. Mas ao mesmo tempo contemplava uma imensa parcela da população brasileira sem ocupação, ou sem ocupação definida, incapaz de produzir e consumir. 

Zweig mencionava 25 milhões de brasileiros à margem da vida econômica. Gente subaproveitada em espaço excessivamente vasto. O autor não hesitou em afirmar que o país sofria de anemia.

Ao mesmo tempo, elogiava os avanços dos meios de transporte e outras iniciativas. Elogiava o governo Vargas. O Brasil anêmico reagia. As cidades começavam a crescer mais velozmente. O país aprendia a pensar nas dimensões do futuro. E havia cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. 

O trecho do livro que escolhi para a comparação entre as duas traduções (editadas abaixo) é o primeiro parágrafo do capítulo dedicado à capital paulista.

O original e as versões
BLICK AUF SÃO PAULO    1
Stefan Zweig 
Um die Stadt Rio de Janeiro darzustellen 2, müßte man eigentlich ein Maler sein, um São Paulo zu schildern, ein Statistiker oder Nationalökonom. Man müßte Zahlen türmen 3und vergleichen, Tabellen nachzeichnen und versuchen, Wachstum in Worten sichtbar zu machen; denn nicht seine Vergangenheit und nicht seine Gegenwart machen São Paulo so faszinierend, sondern sein gleichsam unter der Zeitlupe sichtbares Wachsen und Werden, sein Tempo der Verwandlung. São Paulo gibt kein Bild, weil es seinen Rahmen ständig erweitert, weil es zu unruhig 4 ist in seiner rapiden Veränderung; man zeigte es am besten als Film und zwar als einen, der von Stunde zu Stunde rascher abrollt; keine Stadt Brasiliens und wenige der ganzen Erde lassen sich an Ungestüm der Entwicklung dieser 5 ehrgeizigsten und dynamischsten Brasiliens vergleichen. 


SÃO PAULO    1
Odilon Gallotti

Para apresentar a cidade do Rio de Janeiro 2 teria eu propriamente que ser pintor e para descrever São Paulo precisaria ser estatístico ou economista. Teria que reunir 3
números e compará-los, copiar tabelas e tentar tornar compreensível por palavras o crescimento, pois não são o passado e o presente de São Paulo que o tornam tão fascinante, mas sim o seu crescimento, desenvolvimento e velocidade de transformação, por assim dizer, vistos numa película cinematográfica feita em câmara lenta. São Paulo não fornece um quadro, porque constantemente se está ampliando 4 e sua transformação se opera com muita rapidez. A melhor maneira de mostrá-lo seria por meio duma película, duma película que de hora para hora se fosse desenrolando mais depressa. Nenhuma outra cidade do Brasil e poucas do mundo inteiro podem comparar-se em impetuosidade de desenvolvimento 5 a essa, que é a mais ambiciosa e mais dinâmica do país.


OLHAR SOBRE SÃO PAULO      1
Kristina Michahelles

Para representar a cidade de São Paulo seria preciso ser um pintor
 2. Para descrever São Paulo, um estatístico ou um economista. Seria preciso amontoar números e compará-los, 3 copiar tabelas e tentar transcrever o crescimento em palavras, pois não é o passado ou o presente que tornam São Paulo uma cidade tão fascinante, e sim o seu crescimento e o seu porvir, a rapidez de sua transformação, vistos em câmera lenta. É difícil ter uma imagem estática de São Paulo porque a cidade está constantemente se ampliando, porque é demasiado irrequieta 4 em sua rápida transformação. A melhor maneira de mostrá-la seria através de um filme, um daqueles filmes que de hora em hora se fosse acelerando. Nenhuma cidade do Brasil e poucas no mundo inteiro podem ser comparadas em impetuosidade à evolução 5 dessa que é a cidade mais ambiciosa e mais dinâmica do país.

Gabriel Perissé é fundador e pesquisador do Núcleo Pensamento e Criatividade 
www.perisse.com.br



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Rock da Gramatica

Edgard Murano













Não é de hoje que professores de cursinho utilizam ritmos e melodias populares para ajudar seus alunos a fixar os conteúdos das disciplinas. A estratégia é bastante recorrente, sobretudo nas aulas de português, cuja gramática cheia de regras e exceções muitas vezes se torna um obstáculo ao aprendizado. Partindo dessa ideia, dois músicos de Curitiba (PR) - Marcelo Darcini e Jéssica Steil - tiveram a ideia de gravar canções versando sobre tópicos da língua portuguesa. Surgiu daí a banda Sujeito Simples, a primeira de que se tem notícia no gênero "rock didático".
Canções como Preposição, Advérbio, Crase e Pronomes Pessoais, entre outras, brincam com conceitos caros à língua de Camões, valendo-se de letras que repassam regras e ensinamentos do idioma - sem deixar de lado, é claro, os vocais e as guitarras distorcidas típicas do rock 'n' roll. A crase, diga-se de passagem, foi objeto de duas canções da banda, haja vista a dificuldade dos brasileiros para lidar com o assunto.
Para baixar gratuitamente o álbum do Sujeito Simples, assim como a revista com as letras e as cifras das músicas, acesse o site oficial: www.sujeitosimples.com.br 

Confira no vídeo abaixo a canção Advérbio:





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terça-feira, 26 de junho de 2012

Profissão de Tradutor


Cada vez mais brasileiros escolhem trabalhar como tradutores, um mercado de R$ 52 bilhões

Há muitas coisas que um tradutor pode fazer: trabalhar no conforto de casa, escolher os clientes, ler muito e aprender sempre. Só não vai conseguir traduzir “coxinha”. Quem garante é Julia Medrado, de 27 anos, cuja empresa, dentre outras tarefas, verte cardápios para o inglês. “Tem que explicar o que é uma coxinha, não adianta tentar traduzir”, diz. Formada em Letras pela PUC-SP com habilitação em tradução, Julia abriu a própria agência no fim de 2009, depois de trabalhar no ramo para empresas. Começou trabalhando em casa e, hoje, não traduz mais com
as próprias mãos: gerencia dois escritórios e mais de 80 profissionais, a maior parte deles brasileiros que moram fora.

No jargão do ramo, fala-se em tradução quando um texto em idioma estrangeiro ganha versão em português; já a versão ocorre quando um texto brasileiro vai para outro idioma. A maior parte das encomendas na agência de Julia pertence ao segundo grupo. “Mas é um mercado amplo”, diz. “O carro-chefe são textos publicitários, mas traduzimos trabalhos técnicos nas áreas financeira, jurídica e de saúde. Também tem tradução de documentos e legendas de vídeos.” Julia acredita que a formação em Letras é, salvo raras exceções, fundamental. “Tradutor precisa ter intimidade com o idioma, gramática, estilística”, justifica. “Tenho que revisar duas ou três vezes o texto de quem não é formado em Letras.” Mas há quem pense diferente.

“Só vai ser bem-sucedido quem for especialista em algum assunto”, diz Paulo Macedo, sócio de uma agência no Rio. “Por exemplo, um capitão da Marinha com doutorado em solda, ou um funcionário do Banco Central.” Trata-se de uma atividade em crescimento. A consultoria Common Sense Advisory estima que o mercado global de tradução faturou US$ 26 bilhões em 2010, e poderia chegar a US$ 30 bilhões em 2011. Macedo diz que sua empresa recebeu no ano passado cerca de 3 mil pedidos de tradução e, para este ano, a expectativa é dobrar esse
número. Por isso, planeja contratar mais gente.

Num mês “excepcional”, diz Macedo, um tradutor pode faturar R$ 15 mil. Um iniciante ganha de R$ 1,5 mil a R$ 2,5 mil, podendo chegar a R$ 6 ou R$ 7 mil mensais com o tempo.

Mapa da mina.
Como os concursos para tradutor juramentado são raríssimos, uma forma de entrar na profissão é fazer um curso de formação, em locais como a Alumni (em São Paulo) ou a Flash! Idiomas (no Rio). O primeiro dura dois anos, e o segundo, oito meses.

Ex-aluno da Flash!, o bacharel em Direito Filipe Alverca, de 26 anos, trabalha hoje como freelancer em casa, no Rio. “Não fiz OAB e não tenho interesse em advogar”, afirma. “Posso trabalhar em casa, sem pegar trânsito. E como frila, tenho cerca de 15 clientes e vários projetos ao mesmo tempo.” Segundo Filipe, a tradução é geralmente vista como um “plano B”, ou feita por
especialistas aposentados. “Mas eu fui fazer o curso de formação de tradutores, gostei e fui me aperfeiçoando”, conta. Ele acrescenta que o setor de petróleo e gás é um grande cliente, e que “quase todo dia” tem de recusar trabalho. “Traduzo de 60 a 70 mil palavras por mês”.

As dicas de Filipe para quem quer virar tradutor são cinco. Primeiro, aguçar o instinto para a cultura geral. “O tradutor é um especialista em generalidades, sabe de tudo um pouquinho”, diz. Segundo, afiar o português. “O inglês pode até ser de médio para avançado, mas seu português tem que ser nota 1.000.” Terceiro, fazer um curso de tradução. Quarto, reservar meia hora por dia para mandar currículos para potenciais novos clientes, como agências. “A internet permite isso, expandir nossa rede facilmente”, diz Filipe. E, quinto, frequentar eventos de tradução, para conhecer outros profissionais e donos de agências, que podem render novas tarefas. “Já consegui trabalhos via Twitter e também Facebook”, conta. A qualquer momento, colegas publicam mensagens procurando gente para um determinado projeto.

Globalização.
Para o tradutor Danilo Nogueira, de 69 anos e a caminho da aposentadoria, sua profissão é “a mais globalizada do mundo”. Por outro lado, diz ele: “não adianta você pôr uma placa na rua escrito ‘Fulano, tradutor’ e esperar os clientes chegarem”. Em sua avaliação, não falta serviço,
mas é preciso ter visão comercial e correr atrás dos clientes. “Existe grande chance de seu próximo cliente estar na China, no Reino Unido, na Suécia.” O importante, diz Nogueira, é não apenas saber o que o autor original escreveu, mas também por que o fez daquela forma. “Se no texto original está escrito high yield bonds, deve-se traduzir (literalmente) como ‘títulos de alto retorno’ e não como junk bonds (‘títulos-lixo’), ainda que o jargão nos cadernos de Economia seja esse”, argumenta. “O tradutor é como uma testemunha policial, que diz ‘Olha, foi isso o que eu vi’, ainda que não concorde.” Nogueira conta de um amigo ateu e comunista que, apesar disso, fez fiéis traduções de textos católicos do italiano para o português.

Falando em traduções fiéis, Julia Medrado informa que “coxinha” pode ser traduzido, ou melhor, vertido, como fried dough filled with chicken (“massa frita recheada com frango”). Outras opções existem – ao gosto do freguês.
Postado por: Carlos A. Soares


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sexta-feira, 22 de junho de 2012

O Curiosismo: "A Cuiosidade matou o gato"





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Gisele Bündchen grava vídeo pelo desenvolvimento sustentável

 
Em época de Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a nossa top Gisele Bündchen grava mensagem de conscientização dos recursos do nosso Planeta.
"Não há mais tempo a perder, precisamos ser conscientes e mudar nossos hábitos diários. Já passou da hora de conversarmos, temos que agir", disse a top.


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quinta-feira, 21 de junho de 2012

ALL WORK AND ALL PLAY


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Muito melhor agora

Um marcador está preso em um livro esquecido que é um dia derrubado pelo vento. Ele experimenta navegar nas páginas que se transformam em ondas do oceano, apreciando o passeio de sua vida. Quando a capa do livro se fecha, a luz revela novos desafios.
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Desassossego

“Se me pergunta alguém por que assim ando Respondo que não sei; porém suspeito. Que só porque vos vi, minha senhora.”
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Novo Site

Visite nosso novo Site.
Mais dinâmico, interativo e moderno
    http://www.endtraducoes.com.br
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quinta-feira, 8 de março de 2012

IMAGENS SONORAS

Game Over from Gioacchino Petronicce on Vimeo.

Game Over é um curtinha simpático do francês Gioacchino Petronicce. Recomenda-se assistir em tela cheia e usando fone de ouvidos.
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A matemática de Escher

INSPIRATIONS from Cristóbal Vila on Vimeo.

Trabalho do holandês M. C. Escher, um dos artistas mais matemáticos do século 20
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A ODISSÉIA DE CARTIER

 

UM LUXO DE COMERCIAL
O novo comercial de CARTIER é uma trajetória pelos 165 anos da marca.
O filme começa com uma onça-chique quebrando sua pele de diamantes e detonando a loja-símbolo da marca.
Tem Czarinas, serpentes gigantes, elefante com o Taj Mahal nas costas e até o nosso Santos Dumont no seu glorioso 14 Bis levando a onça para dar um passeio.




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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Futuro Pertence aos curiosos

The Future Belongs to the Curious from Skillshare on Vimeo.

Tudo em que acreditamos, nesse video. Um belo manifesto a nossa paixão de sempre: a curiosidade.
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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A alegria dos Livros

 

“Siempre imaginé que el Paraíso sería algún tipo de biblioteca“. 
( Jorge Luis Borges)







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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Pálido Ponto Azul” do Carl Sagan

Esse texto vem do livro “Pálido Ponto Azul” do Carl Sagan, publicado no Brasil pela Companhia das Letras. A narração é do próprio Sagan e a animação é de Adam Winnik


Pale Blue Dot - Animation from Ehdubya on Vimeo.


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ASSASSINARAM A LETRA “I”


Não é novo esse vídeo, mas é muito bom!!!
 Já ganhou o prêmio Webby
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Como se fala Nintendo Will em Português?



Experimente entrar no Google Translate e traduzir uma frase do inglês para o português, contendo a palavra “nintendo wii“. Por exemplo, “Nintendo Wii is the best videogame”
 E veja o que vem na tradução...
Traduzindo a mesma frase do inglês para o italiano, mais uma surpresa… 

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